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Cartas a Tás (12 de 60)


Ituverava, 12 de junho de 2009



Onde foi que eu errei? Onde foi? Ai de mim, Marcelo Tás! Por ventura disse algo que feriu a tua moral? Algo que tenha arranhado a tua imagem, palatino da USP? Não postas mais meus comentários, de certo que algum assessor, algum estagiário, mal remunerado, que faz a leitura dos comentários de teu blog, ex-amigo, esta instruído a deletar toda e qualquer manifestação de vida do Jefhcardoso. Ai de mim! Ai de mim, Ituverava!
Agora é assim que andarei, não bastasse a ausência de comentários em meu laborioso trabalho, é na marginalidade que encontrarei abrigo? Não mais terei o prazer de ver minhas cartas publicadas no seu espaço de comentários? Como se já não bastasse a escassez de atenção com que trata a minha humilde pessoa, vem agora me impor à censura, que mal fiz?É algo abominável a ti, levantar as tuas memórias de forma pitoresca, e despretensiosa em tua casa na internet, neste respeitável e premiadíssimo blog? Saiba você que sou amigo de João Gilberto, que Kaká fala comigo no MSN todos os dias, e que eu e a Olívia Wild, bem, deixa pra lá. Caro Tás, um dia sentirá remorso pelo descaso que trataste este amigo de outrora, o pé grande dos cafezais, a quem tantas vezes recorrera nas tuas horas difíceis. Não, não poste esta carta comentário também não. Sou encardido demais para figurar neste espaço de gente “gran fina”, estes comedores de angu e arrotadores de peru. Quer saber, estou com a juventude da USP, acho que estão certos de manifestar-se ainda que sobre uma pauta fraca, pois não importa saber quem é o defunto, queremos é chorar abraçados à viúva.

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